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MUNDO

24/06/2019

Viola é tema de livro que historia as origens e a valorização do instrumento no Brasil

Roberto Corrêa discute o conceito de música 'caipira' na narrativa de tom acadêmico.

 

Em 1960, Julião Amâncio da Silva – violeiro paulista conhecido no meio musical somente pelo breve nome artístico de Julião – lançou álbum, Viola sertaneja em alta fidelidade, que se tornaria título histórico na discografia brasileira pelo fato de ter sido o primeiro álbum instrumental de viola.

O lançamento desse disco é apontado pelo violeiro, pesquisador musical e escritor Roberto Corrêa como um dos marcos nos anos 1960 do que o artista mineiro chama de "avivamento" da viola no texto do livro Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte (O avivamento no Brasil).

O livro reproduz tese de doutorado defendida pelo pesquisador na área de musicologia de universidade paulista. Em que pese a estrutura acadêmica da narrativa de Corrêa, a publicação resulta atraente para quem se interessa pelo instrumento porque o autor evita o rebuscamento da linguagem e recorre até a certo coloquialismo na exposição das origens e evolução da viola, detalhando cada modalidade do instrumento – e são muitas... – em tópicos acompanhados de ilustrações dos vários tipos de viola.

Trazida ao Brasil por jesuítas e colonos portugueses, a viola se associou progressivamente ao universo caipira nacional, mundo rural documentado pelo escritor e folclorista paulista Cornélio Pires (1884 – 1958) a partir de 1929, ano considerado o marco zero da música sertaneja.

Roberto Corrêa inclusive detalha e discute o conceito de caipira e de música caipira em dois dos sete capítulos do livro, antes de entrar no assunto propriamente dito do "avivamento" do instrumento, assunto do quinto capítulo. É quando Corrêa discorre sobre o impacto da viola em solo urbano com a apresentação da música Disparada (Geraldo Vandré e Theo de Barros, 1966) em festival da canção. Esse processo de revalorização da viola abriu inclusive as portas das salas de concerto para violeiros como o mineiro Renato Andrade (1932 – 2005).

No capítulo A escritura da arte, indicado somente para músicos que sabem ler partituras, Roberto Corrêa historia a escritura musical para viola, prática adotada pioneiramente em 1962 por Theodoro Nogueira (1913 – 2002), compositor e músico paulista que contribuiu para a valorização da viola no universo da música erudita brasileira.

Enfim, quando um violeiro toca, há muito do genuíno sentimento caipira. E pode haver também muita técnica, resultante de estudo e aprimoramento contínuo. Roberto Corrêa é sábio ao jamais desmerecer um em favor do outro na narrativa fluente do livro Viola caipira: das práticas populares à escritura da arte (O avivamento no Brasil)

Fonte: Globo



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