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MUNDO

23/07/2019

Mirassolense Felipe Rocio exibe sua arte em Portugal

De Mirassol para Portugal: designer e artista visual Felipe Rocio apresenta seu trabalho no Festival dos Canais, um dos mais importantes de Aveiro, destino turístico respeitado da Europa

O designer e artista visual Felipe Rocio está voando alto. Desde agosto de 2018, ele fixou residência em Portugal, onde faz mestrado em artes plásticas no ramo de escultura, e começa a colher seus primeiros frutos de trabalho. Prestes a completar um ano no país europeu, o mirassolense participa, até 21 de agosto, de um projeto dentro do Festival dos Canais em Aveiro, cidade conhecida como a Veneza portuguesa. Nesta edição, o evento reúne 250 performances (música, circo contemporâneo, dança e artes visuais) de 32 companhias e 280 artistas de 16 países diferentes.

Gilberto Gil, Mariza e Capicua integraram a grade da edição 2019 do evento, que recebeu o EFFE Label (Europe for Festivals, Festivals for Europe), um selo de qualidade atribuído a festivais de referência, que reconhece o trabalho feito no campo das artes, do desenvolvimento comunitário e da abertura internacional. Dentro do festival, Felipe Rocio participa do CityLab, projeto que promove o compartilhamento do processo de criação artística do artista com o público.

O trabalho de Rocio, uma escultura, está exposta no Jardim do Museu de Santa Joana. "O Festival dos Canais é um dos maiores e um dos mais importantes da cidade. A cidade muda, fica cheia de turistas e fica movimentada. São muitos projetos envolvidos no festival e quase em cada esquina é possível ver um evento acontecendo. Foi muito interessante ver a reação das pessoas com os objetos. Elas apontam, tiram fotos. Enquanto estava montando o trabalho, elas sempre vinham fazer perguntas relacionadas ao meu trabalho. Aqui, eles demostram um real interesse sobre a arte."

Formado em artes visuais pelo Instituto de Artes da Unesp, em São Paulo, Rocio está fazendo mestrado na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. "O curso tem duração de dois anos. Terminei agora o primeiro ano e em setembro começo o meu segundo ano. A ideia de continuar em Portugal após o mestrado é constante e todos me perguntam se pretendo continuar por aqui após o mestrado. Até o momento eu tive muitas experiências positivas, o primeiro ano de mestrado foi intenso, tive a possibilidade de desenvolver melhor a minha prática artística, de produzir muito e de expor meus trabalhos."

O artista afirma que dois anos é um período curto para ficar no país europeu diante de tudo o que ele pode aprender. "Parece que foi ontem que me mudei, tudo foi muito rápido e muito intenso. Tenho a sensação de que tenho muito para desenvolver e explorar por aqui. Tem aparecido várias oportunidades para participar de projetos artísticos e acredito que isso seja fruto do meu esforço para realizar meus objetivos. Não posso dizer com certeza como será meu futuro por aqui. Não é simples ser estrangeiro, estar longe dos familiares e amigos de longa data. O custo de vida não é tão barato, principalmente o aluguel, que na zona do Porto é bem alto. Ainda não tenho uma 'estabilidade' financeira que tinha em Mirassol. Mas pretendo sim continuar por aqui."

Em Rio Preto, ele ficou conhecido por fazer intervenções urbanas com crochê. Em 2017, os orelhões e o corrimão da rampa principal da praça Hitler Fett, localizada no Complexo Esportivo Jardim do Bosque, ganharam capas de crochê assinada pelo artista visual. Atualmente em Portugal, Rocio está trabalhando com esculturas. "Escolhi o ramo de escultura para dar continuidade ao meu trabalho escultórico. Meus trabalhos estão relacionados diretamente com o espaços. A escultura e o espaço estão sempre juntos e não é apenas um objeto colocado no espaço. Ainda não fiz especificamente intervenções com crochê, mas eu o utilizo na minha prática, pois ele está relacionado com a esfera do doméstico, o que é parte central da minha investigação."

Em Portugal, ele também já participou de exposições coletivas. A lista inclui a mostra "Um ponto de Situação", em 2018, na Galeria da Faculdade de Belas Artes; "Fresta", em 2019, no centro comercial Invictos; e "Entre Tanto" no Centro Cultural Cace. Além das exposições, ele também participa frequentemente de feiras artísticas. "Nos eventos, vários artistas vendem objetos manufaturados. Como também trabalho com cerâmica, sempre procuro participar."

Rocio também está participando de uma residência artística em Águeda, coordenado pela artista Paulina Almeida. "A residência recebeu crianças que estão em programas de férias de verão. Fui convidado para coordenar um workshop com essas crianças, em parceria com Yuga Hatta, que também está na residência e é meu colega de mestrado. Fiquei contente por realizar aqui em Portugal esse trabalho voltado para arte educação, o qual já fazia no Brasil."

O designer e artista visual ainda tem alguns planos para este restante de 2019. Ele vai aproveitar as férias de verão para executar alguns projetos que não tem tempo de realizar durante o ano letivo. "Ainda mais agora que tenho que focar em minha dissertação. Para as próximas semanas vou desenvolver um projeto em conjunto com o Collin Kluchman, um estudante da Paris College of Art. Pretendemos mesclar nossas investigações de mestrado para produzir uma escultura e expô-la. Também pretendo começar a trabalhar como sócio em uma loja de artes no Porto, a Squid Ink Works, que vende trabalhos artísticos dos sócios envolvidos e de outros artistas convidados. Esses são meus planos mais concretos por enquanto, mas existem muitos outros ainda em desenvolvimento que precisam ainda de tempo e oportunidades."

Fonte: Diário da Região



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