home > notícias

ASSOCIADOS

29/10/2019

Case de sucesso de médico em Portugal: entrevista com otorrino brasileiro [Atlantic Bridge Consulting & Investment]

Quem acompanha os nossos artigos sabe que já foram muitas informações e passos ensinados para os colegas médicos estrangeiros que desejam atuar em Portugal. A experiência de ser médico fora do Brasil pode ser trabalhosa e exigente… Um longo caminho, mas será que vale a pena? Para responder esta pergunta da forma mais genuína e transparente possível, no artigo de hoje vamos apresentar um case de sucesso de médico em Portugal.

Acompanhe o depoimento do Dr. Guilherme C. de M., médico formado no Brasil e que desde 2016 atua como Otorrinolaringologista em uma das grandes redes de hospitais privados de Portugal.

Confira!

Case de sucesso de médico em Portugal: testemunho de quem foi bem-sucedido

1. Dr. Guilherme, por que Portugal?

Minha vontade de morar e trabalhar em Portugal surgiu após um intercâmbio acadêmico que fiz na Universidade do Porto em 2008, quando cursei grande parte do 6º ano de faculdade. Durante este período foi impossível não se apaixonar por Portugal!

Gostei da qualidade de vida por aqui, além dos sistemas de saúde, segurança pública e estilo de vida simples dos portugueses. A simplicidade das pessoas foi algo que me encantou e, obviamente, a comida também!

Global Moving: confira o artigo que mostra como os médicos também não têm fronteiras.

2. Como foi o processo de validação do seu diploma de médico em Portugal?

Foi um processo basicamente burocrático, no qual tive que juntar uma lista de documentos, entre eles diploma, histórico escolar e ementas das disciplinas.

Dei entrada no processo em 2011 pela Universidade Nova de Lisboa, via Tratado de Amizade entre Brasil e Portugal, que infelizmente hoje já não é mais aplicável. Numa primeira etapa, procederam com uma avaliação da minha grade curricular, disciplinas cursadas e carga horária do curso.

Uma vez aprovado, em razão da semelhança ao programa de curso em Portugal, veio a última etapa, a prova pública, constituída pela “defesa oral” de um memorial curricular. A conclusão do processo durou por volta de 9 meses.

3. E como foi o processo de equivalência da sua especialidade?

equivalência da especialidade médica foi o processo de maior espera, durou 22 meses. Iniciei em dezembro de 2014.

O primeiro passo foi a entrega de um currículo extremamente detalhado de toda a minha experiência acadêmica e profissional. O órgão responsável pela apreciação é o Colégio da Especialidade da Ordem dos Médicos, no meu caso o de Otorrinolaringologia. Para cada candidato é atribuído um júri e, a partir daí, toda a cadeia de decisões é tomada.

No meu caso o júri deliberou, após 7 meses da entrega do currículo, que eu deveria fazer um estágio complementar de 3 meses de duração, que realizei em 2016 no IPO (Instituto Português de Oncologia) de Lisboa. Infelizmente eu tive que esperar 4 meses, desde a data da decisão do júri, até que eu conseguisse a vaga para estágio.

Após a finalização deste estágio, entreguei um relatório de conclusão, também extremamente detalhado, ao presidente do meu júri. Após algumas semanas me foi comunicado pela Colégio de Especialidade que eu teria a aprovação direta como especialista em Otorrinolaringologia, sem a necessidade realização de exame.

4. Como foi a sua trajetória como médico brasileiro em Portugal?

Desde que cheguei em Portugal em 2015, aguardei até a conclusão do meu processo de reconhecimento da especialidade para iniciar a minha atividade médica profissional. Assim, iniciei o trabalho já como médico especialista.

Como especialista em Otorrino, em Portugal, fui logo convidado para fazer parte de uma Unidade de Otorrino para atuar em otorrino geral e também com foco na área de otologia e implante coclear, dentro de um grande grupo de hospitais privados de Portugal. Trabalho também em clínicas privadas menores como Otorrino geral.

Depois de alguns meses atuando, também cheguei a receber convites de atuação no público, via contrato ou participação em concurso público. Cargos estes não assumidos por questões de escolhas pessoais.

O risco de não fazer o exame de fim de especialidade médica

Uma coisa importante a salientar é que, na etapa da equivalência da especialidade, não ser submetido a exame de fim de especialidade pode ser prejudicial ao candidato, principalmente se seu desejo é concorrer em concursos públicos. Isto porque quando não se faz exame você acaba sem uma nota final de especialidade. Em Portugal todo especialista que conclui aqui a especialidade faz um exame de saída e lhe é atribuído uma nota. Essa nota é a utilizada para seriar os candidatos nos concursos públicos.

Portanto, se você não faz exame, você não tem nota e ficará sempre em último lugar na lista de candidatos no concurso, como se fosse a última nota, se for o único candidato não haverá problema.

5. Quais as diferenças entre ser médico no Brasil e em Portugal?

Em termos de patologias recorrentes e prática médica, a medicina é muito globalizada e semelhante. A diferença básica é a valorização profissional: o médico em Portugal ainda é respeitado. Além disso, Portugal possui mais estrutura técnica, com melhores equipamentos, especialmente nos hospitais públicos, quando comparados ao Brasil.

Menos funções burocráticas e menores salários

Outro ponto positivo por aqui é que o médico faz menos funções burocráticas, menos papéis para preencher, assim se dedicando mais à prática da medicina real. O lado pior diria que é a remuneração mais baixa em Portugal, especialmente no setor privado, quanto comparado ao Brasil. Adicionalmente, as hipóteses de progressão na carreira, do ponto de vista financeiro, também são menores. Contudo, vale ressaltar que o custo de vida em Portugal é muito menor que no Brasil.

Menor volume de trabalho

O volume de trabalho é outra questão diferencial, sendo muito superior no Brasil, especialmente do meu caso que vivi a realidade de trabalho de São Paulo. Basta pensar que a população portuguesa é 20 vezes menor que a brasileira.

Um exemplo da minha área de atuação é que se um otorrino no Brasil faria 15 cirurgias por semana, em Portugal esse número poderia nem chegar a 4. Lembrando que a maior parte da minha experiência em Portugal é no setor privado, que também ainda é um setor em crescimento e não é tão consolidado como no Brasil.

A atenção do médico brasileiro é um diferencial

Outro ponto interessante é a relação médico paciente. Nós, brasileiros, temos uma tendência por sermos mais próximos e carinhosos com nossos pacientes que os portugueses ou europeus em geral. Em geral, este é um ponto que nos favorece.

6. Em algum momento você teve vontade de largar tudo e voltar para o Brasil?

Não, mas isso porque é importante pensar muito antes da mudança. A mudança é uma coisa muito difícil. É importante considerar diversas diferenças e ter a chance de ponderar muito bem.

No meu caso, eu pude viver um tempo em Portugal antes de tomar essa decisão. Os objetivos foram bem planejados e alcançados gradativamente.
As expectativas devem ser ajustadas à realidade e aos seus objetivos pessoais, pois o maior motivo de frustração que vejo nos meus colegas não tem a ver com a qualidade de vida ou profissional, e sim com erro nas expectativas criadas.

7. Como os médicos brasileiros são vistos pela comunidade médica?

A medicina Brasileira é altamente reconhecida e valorizada, até pelo seu alto grau de especialização. Em Portugal, e em vários outros países europeus, muitos médicos elogiam os profissionais e números de procedimentos que atingimos no Brasil, principalmente das grandes faculdades e hospitais privados. Por outro lado, uma parte da sociedade médica sabe que o Brasil tem uma formação médica muito díspar.

Não acho que exista um preconceito por nacionalidade X ou Y, mas sim por não ser literalmente conhecido. A medida que vão te conhecendo, vão vendo que é um bom profissional, ético e dedicado, então as portas se abrem. E posso dizer que foi mais fácil me integrar no mundo médico português do que no brasileiro!

Outro ponto diferente é que os pacientes muitas vezes ficam muito satisfeitos com o carisma do médico brasileiro.

8. Qual o conselho que você pode dar para os nossos colegas médicos que querem sair do Brasil e exercer a medicina no exterior?

O planejamento e entendimento de como funcionam as regras no país que quer imigrar é fundamental. O que a legislação local e as regras de sua especialidade médica naquele país exigem para se tornar um especialista, e assim poder fazer sua formação compatível com tal currículo/regra.

Se você quer ir para a Alemanha, por exemplo, o currículo ideal de um médico otorrino na Alemanha é X e você tem que guiar sua formação baseada nisso, porque isso vai te ajudar do ponto de vista profissional.

Mas, do ponto de vista pessoal, as coisas também devem ser muito realistas, assim o segundo ponto é adequar as expectativas. Por exemplo, a Alemanha pode ser um ótimo país para um médico trabalhar, mas você pode odiar o clima, a comida ou mesmo a maneira que as pessoas lidam com as coisas e isso pode frustrar a sua experiência e te trazer infelicidade.

Temos que lembrar que a vida não se resume a ser médico, você vai ao mercado, você pega o ônibus, você convive com pessoas, você vai num restaurante, etc. Por isso viver um tempo no local onde planeja viver futuramente é um passo quase que essencial.

9. Em resumo, acha que valeu a pena?

Com certeza!

O meu planejamento foi longo, mas as certezas foram se solidificando com o tempo. O lado negativo, claramente, é a distância da família: infelizmente não dá para trazer todas as pessoas e essa é uma limitação intransponível.
A partir da minha experiência, diria que se você estiver com expectativas ajustadas, fizer um bom planejamento e tiver cuidado com a execução do seu plano, invista neste sonho que ele tem tudo para dar certo, sim!

Gostou de conhecer esse case de sucesso de médico em Portugal? Se você tem vontade de fazer o reconhecimento do diploma médico em Portugal, veja nesse artigo o passo a passo em detalhes.

Depoimento: Dr. Guilherme C. de M.: médico formado pela UNICAMP em 2008, Especialista em Otorrinolaringologia (2009-2012) e Otologia (2012-2013), bem como Doutor em ciências médicas na área de Otorrinolaringologia (2013-2017), também pela referida instituição.

Autora: Mariana Ramalho
Médica & Consultora

 

Fonte: Assessoria



NOTÍCIAS RELACIONADAS
05/11/2019
Outubro Rosa BP: BP realiza oficina de turbantes africanos [BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo]
05/11/2019
Óleo no litoral do Nordeste Brasileiro. Quem paga essa conta? [Brasil Salomão e Matthes Advocacia]
05/11/2019
As condições gerais do acordo para pagamento de débitos fiscais da medida provisória 899/19 (“MP do contribuinte Legal”) [Cardillo & Prado Rossi Soc. Adv]
05/11/2019
A Arbitragem em Contratos da Administração Pública [Diamantino Advogados]
05/11/2019
5 erros de recrutadores durante o processo seletivo [AVANCE AUTHENT RH]
05/11/2019
Como a computação quântica afetará nossas vidas daqui dez anos? [Acti-Solução Máxima em TI]