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21/01/2020

Retrospectiva 2019 [Taler]

Nesta primeira carta de 2020 faremos uma breve retrospectiva nacional e internacional dos principais acontecimentos macroeconômicos e geopolíticos. Na sequência, vamos descrever nosso cenário base para este ano com os devidos riscos e fatores que podem ser elementos de mudança de direcionamento. Utilizaremos linguagem de fácil assimilação para que a leitura seja a mais agradável possível. 

No cenário externo, o que dominou o noticiário ao longo do ano foi a guerra comercial entre China e Estados Unidos. As negociações entre as duas maiores economias do mundo se estenderam durante 2019 e a fase I do acordo foi acertada somente em dezembro. A medida mais imediata foi o cancelamento de tarifas que passariam a incidir sobre US$ 160 bilhões em produtos vindos da China a partir do dia 15 de dezembro. Por que usamos a expressão produtos vindos da China e não produtos chineses?

Com a globalização cada vez mais presente, os produtos industrializados são feitos cada vez mais numa grande linha de montagem internacional. Em um Iphone por exemplo, 100% do design é americano, mas apenas aproximadamente 20% de suas peças são produzidas nos EUA; o resto é feito na Europa e China onde é montado e despachado para os outros países. Assim sendo, conclui-se que a guerra comercial é apenas uma fachada da disputa pela hegemonia. É também um elemento de pressão para que o gigante oriental se conforme em pagar royalties e respeite patentes.

O efeito deletério deste embate foi uma diminuição do corrente de comércio global (soma das exportações e importações) e por consequência do crescimento global. A Europa foi mais afetada por conta de vários fatores: vem de período de convalescência após a quebra da Grécia, tem a mais extensa pauta de exportação com a China e sua locomotiva, a Alemanha, exporta 40% do PIB basicamente de produtos industriais.

Em agosto, os economistas e investidores de todo o mundo se focaram num dado que não aparecia desde 2008 nos meses que antecederam a recessão global: os títulos de longo prazo da dívida norte-americana foram negociados com juros mais baixos do que papéis de curto prazo. Em alguns países europeus, os juros de longo prazo estão sendo negociados com taxas negativas. Apesar da curva americana ter se normalizado, os sintomas de populismo monetários estão presentes. Os países desenvolvidos ao invés de atacar problemas estruturais (diga-se reformas e supressão de direitos) emitem moeda e injetam liquidez no sistema para empurrar a recessão para frente. Dirigentes tem receio de gerar descontentamento da população, principalmente da classe média que já está incomodada com os níveis de concentração de renda. Já vimos como essa estória termina na maioria das vezes.

No cenário nacional, tivemos um ano ímpar: o Ibovespa alcançou inéditos 117 mil pontos e o dólar recorde de R$ 4,26. O número de trabalhadores no mercado informal chegou à máxima de 38,8 milhões. Já a Selic fechou o ano na mínima histórica, em 4,5% ao ano.

Conforme escrevemos para um artigo publicado no jornal Valor Econômico, o congresso nacional está tentando retomar sua credibilidade perdida com os escândalos da operação lava jato e anos de depressão econômica. A pauta de reformas está sendo conduzida de forma diferente do passado. O congresso tomou para si o protagonismo; o executivo está tendo papel secundário até porque não utiliza o sistema antigo de coalizão como força motriz para aprovar sua agenda.

A reforma da previdência que ataca diretamente o problema fiscal já passou de forma mais abrangente do que se previa, fora outras questões relevantes que já foram aprovadas: cadastro positivo, capital estrangeiro nas companhias aéreas, MP das Fraudes contra o INSS, MP da liberdade econômica, nova lei das Teles, cessão onerosa e abertura de espaço no teto de gastos. Estas mudanças legais são marcos relevantes na direção do liberalismo econômico.

Em dezembro, o governo enviou ao Congresso outra medida que pode facilitar a abertura de empresas em estágio inicial as famosas “start-ups”. Chamado de marco legal das “start-ups”, o projeto propõe simplificações para estimular a abertura de novas empresas. Um dos pilares é que as pequenas empresas com foco em inovação tecnológica possam ser constituídas como sociedades anônimas num modelo mais simples e potencialmente barato do que o possível atualmente.

De outro lado, um vetor que está incomodando grande parte da sociedade brasileira. As esferas superiores do judiciário têm tomado decisões que atravessam a cortina do senso comum. A mais comentada foi a decisão do o Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a possibilidade de prisão de condenados em segunda instância. Os ministros entenderam que, segundo a Constituição, ninguém pode ser considerado culpado até o trânsito em julgado (fase em que não cabe mais recurso) e que a execução provisória da pena fere o princípio da presunção de inocência. A consequência mais relevante foi a soltura do ex-presidente Lula. Fato este, que apesar do choque inicial, não teve a repercussão esperada por partidos de oposição.

Na nova era de juros baixos no Brasil, a alocação de capital terá que ser mais eficiente tanto por parte do empresário como dos investidores. Essa nova era parece ter vindo para ficar. As expectativas de inflação estão ancoradas por vários anos à frente e somente um choque parece ter capacidade de mudar este curso.

Em nosso cenário base, contemplamos uma dinâmica positiva, pois com os juros em patamares num antes experimentados, vários projetos poderão ser viabilizados e empresas pequenas terão maior capacidade de sobreviver. A melhoria da atividade econômica e do espírito animal do empresariado serão vitais para recolocar milhões de pessoas de volta ao mercado formal de trabalho e aumentar a arrecadação do estado. Os balanços das empresas têm mostrado mais vigor o que nos dá conforto para alocar recursos em ativos relacionados a economia real.

Os riscos a serem monitorados são os seguintes: continuidade da agenda positiva no congresso num ano eleitoral, mudança da dinâmica da inflação no Brasil e no mundo, eventos geopolíticos principalmente gerados por países do oriente médio e as eleições americanas. Não há no radar dos agentes do mercado nenhum sinal de crise, mas movimentos que impactem os preços principalmente dos mercados acionários podem ser esperados dado que os principais índices estão em suas máximas históricas.

O mundo vive numa era de novas tecnologias e modelos de negócios disruptivos. Cada vez mais a especialização e gestão profissional serão necessários para que investidores atinjam seus objetivos e perpetuem sua harmonia patrimonial.

Fonte: Taler / Gestão de Patrimônio 



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