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MUNDO

17/02/2020

Por dentro da exposição sobre o Egito no CCBB

A estátua da deusa Sekhmet, divindade guerreira com cabeça de leoa, tem sua monumentalidade coroada na exposição Egito Antigo: do Cotidiano à Eternidade, com inauguração programada para a próxima quarta (19) na unidade de São Paulo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

A peça de 2 metros de altura e meia tonelada é feita de uma rocha chamada granodiorito e tem origem no intervalo entre os anos 1390 e 1353 a.C. Apresentada junto a uma placa de compensado coberta com folhas de ouro, ela é uma das estrelas da mostra, composta de 137 itens originais mais três maquetes do século XIX, todos emprestados do Museu Egípcio de Turim, na Itália. Na sua parada anterior, na sede carioca da rede, a exposição atraiu mais de 1,4 milhão de pessoas, que encararam em média duas horas e meia na fila para entrar. O número expressivo da bilheteria no Rio pode alçar a mostra ao topo do ranking mundial de visitação, feito pela revista britânica Art Newspaper. Em 2018, como termo de comparação, a vencedora Do Ho Suh: Almost Home, realizada no Smithsonian American Art Museum, de Washington, alcançou a marca de 1,1 milhão de visitantes.

 

 

 

 Faz de Conta: No térreo da exposição, haverá uma réplica da pirâmide de Gizé, com 6 metros de altura, produzida no Brasil. Sua superfície foi feita com tiras de isopor, pintadas com a mesma cor das construções egípcias. Lá dentro, haverá brincadeiras virtuais que permitirão a transformação dos visitantes em múmias.

Faz de Conta: No térreo da exposição, haverá uma réplica da pirâmide de Gizé, com 6 metros de altura, produzida no Brasil. Sua superfície foi feita com tiras de isopor, pintadas com a mesma cor das construções egípcias. Lá dentro, haverá brincadeiras virtuais que permitirão a transformação dos visitantes em múmias. (Selmy Yassuda/Veja SP)

O horizonte é mais modesto na terra da garoa (e chuva mais do que abundante nesta semana). A diminuta unidade de São Paulo tem apenas pouco mais de um terço do espaço expositivo do CCBB do Rio e de Brasília — e a disposição das salas recortadas não auxilia a movimentação do público, limitando a entrada diária a 8 500 visitantes. A estimativa é receber 500 000 pessoas em quase três meses. De qualquer modo, é um marco importante, tendo em vista que Tarsila Popular, frenesi do ano passado, atraiu mais de 402 000 pessoas. Tão monumental quanto a deusa Sekhmet é o orçamento da mostra: 12,3 milhões de reais, dos quais 10,2 milhões foram captados pela Lei Rouanet. O total, dividido pelas quatro paradas previstas (depois de Rio e São Paulo, há ainda Brasília e Belo Horizonte), equivale a 3,2 milhões de reais por mostra. Em 2001, A Arte no Egito no Tempo dos Faraós, no Museu de Arte Brasileira da Faculdade Armando Alvares Penteado, com 56 peças do Museu do Louvre, custou 150 000 dólares, ou cerca de 650 000 reais hoje.“Vários pontos pesaram no orçamento: o seguro, o acondicionamento das peças em caixas especiais que mantêm a climatização ideal. Tivemos de fretar um avião cargueiro e contratar uma frota de caminhões especializados para o traslado entre cidades”, detalha o holandês Pieter Tjabbes, proprietário da Art Unlimited, produtora responsável por essa mostra e por outras, como a exposição de Jean-Michel Basquiat, em 2018, também no CCBB, e a segunda edição do Valongo Festival, em Santos. “A taxa de empréstimo, paga ao Museu Egípcio de Turim, deve ser considerada igualmente. É um grupo grande de obras e um período longo, quase dez meses. Sem contar os gastos com as réplicas de uma pirâmide e da tumba da rainha Nefertari.”

 
 

 Olho no Olho: Garoto observa, no CCBB do Rio de Janeiro, uma das estátuas originais presentes na exposição. Essa é uma cabeça masculina de quartzo datada da época de Amenhotep III (1390-1353 a.C.), que também pode ser chamado de Amenófis III. Ele fez parte da 18a dinastia.

Olho no Olho: Garoto observa, no CCBB do Rio de Janeiro, uma das estátuas originais presentes na exposição. Essa é uma cabeça masculina de quartzo datada da época de Amenhotep III (1390-1353 a.C.), que também pode ser chamado de Amenófis III. Ele fez parte da 18a dinastia. (Selmy Yassuda/Veja SP)

Tjabbes, historiador de arte, é um dos curadores de Egito Antigo: do Cotidiano à Eternidade. O italiano Paolo Marini divide com ele essa tarefa. Marini é egiptólogo (arqueólogo dedicado à história da civilização egípcia) e o organizador responsável pela organização de mostras itinerantes do Museu Egípcio de Turim. Em dois anos de trabalho, a dupla selecionou um grupo de itens composto de esculturas, caixões e uma múmia humana que causa furor entre os visitantes. A mulher, chamada Tararo, tem cerca de 1,50 metro de altura. Deve ter vivido por volta de 700 anos a.C., período recente para a civilização egípcia, que durou cerca de seis milênios, se considerada a pré-história, época em que a escrita não existia. Tararo foi contemporânea da 25ª dinastia, conhecida também como a dos faraós negros. “Embora não seja uma figura da realeza, a julgar pelo sarcófago, seu status social era alto. Ela levava o título de senhora da casa”, explica Marini. Tal nomeação pode significar que ela era uma esposa legítima, que provê herdeiros, ou uma mulher idosa, autônoma, capaz de manter sua própria casa. Sobre a anciã, ele faz ainda uma ressalva: “Não se sabe como foi descoberta. Contudo, é possível supor que tenha vindo da Necrópoles de Tebas, região ao leste do Rio Nilo, tida como um dos maiores complexos funerários do Egito”.

Fonte: Veja



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