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NEGÓCIOS E ECONOMIA

27/04/2020

Covid-19. Logística é um sector com novas oportunidades no imobiliário, diz estudo [Portugal]

"Portugal continua atrativo e espera-se um continuado interesse em investir no setor, com os promotores a retomarem os seus projetos", diz a Cushman & Wakefield

A primeira edição da covid-19 Portugal Market Update destaca as novas oportunidades que se estão a abrir à logística no mercado imobiliário: "o aumento exponencial das vendas online trará ao mercado novos intervenientes na área da logística que sairá desta crise claramente beneficiada", diz um estudo da Cushman & Wakefield (C&W).

"Portugal continua atrativo e espera-se um continuado interesse em investir no setor, com os promotores a retomarem os seus projetos, colmatando a falta de espaços de qualidade nos principais eixos logísticos do país", sustenta a consultora.

A publicação, que analisa as implicações da atual pandemia nos vários setores do mercado imobiliário português – escritórios, retalho, industrial/logística, hotelaria, residencial e investimento, avança que "a incerteza relativamente ao real impacto do surto" levou a maioria dos proprietários e arrendatários no setor de escritórios "a adotar uma estratégia cautelosa de esperar para ver".

E, neste segmento, "ainda não há sinais de impacto imediato nos valores de arrendamento, o que em parte se deve à atual falta de oferta de qualidade. No entanto, espera-se que os inquilinos solicitem incentivos, nomeadamente períodos de carência de rendas".

No retalho, com pandemia afeta todos os sectores de forma transversão, à exceção dos obens de grande consumo, a regra de ouro é "minimzar perdas e manter o setor sustentável a longo prazo", o que "requer uma atitude construtiva de proprietários e inquilinos, bem como da banca e entidades oficiais", até porque a retoma dependerá de quanto tempo levará o retorno à normalidade e se os padrões de consumo voltarão aos níveis anteriores.

Neste domínio, a C&W refere que alguns proprietários de centros comerciais perdoaram as rendas enquanto as lojas tiverem que se manter fechadas. Para os outros centros, e embora a legislação de moratória de rendas ofereça aos inquilinos um balão de oxigénio temporário, as negociações caso a caso deverão ser a regra no período pós-proibição.

Quanto ao setor hoteleiro, "fortemente atingido pela crise", a convicção é de que "as bases fundamentais do turismo não mudaram, e de que a atividade irá retomar gradualmente, assim que as restrições atuais sejam levantadas". Ea expetativa é de que o turismo interno e mercado espanhol desempenharão um papel importante na procura hoteleira, apesar de os operadores assumirem que a performance de 2020 será abaixo do previsto, estando já a focar-se no plano de negócios de 2021. "Os investidores neste setor estão nalguns casos a tentar ajustar os preços de aquisição", diz o covid-19 Portugal Market Update

Para o segmento residencial, é certo que "a crise atual irá impactar a procura de habitação nos próximos meses. Contudo, na eventualidade de uma rápida recuperação do mercado, não é esperado um ajuste de preços significativo uma vez que ainda se verifica um desequilíbrio entre oferta e procura no país", reporta a C&W.

E acrescenta: "a procura por parte de clientes internacionais deverá retomar primeiro, uma vez que Portugal continuará a oferecer as mesmos fatores diferenciadores reconhecidos pelos estrangeiros. A resposta rápida e eficaz do Governo e da sociedade à pandemia reforça esta boa reputação".

Assim, a C&W acredita que os investidores internacionais continuam interessados em Portugal. "O bom desempenho da economia do nosso país e a resposta ao surto de covid-19 tem recebido elogios internacionais. Há alguma incerteza quanto aos efeitos a médio/longo prazo da pandemia, mas os investidores mostram intenções de fechar os negócios pendentes assim que o mercado começar a voltar à normalidade".

"Muitos investidores demonstram a sua disponibilidade para negócios oportunistas nesta altura, enquanto que os players mais conservadores aguardam ainda para ver o desenrolar da situação, estando contudo prontos para investir num futuro próximo", concluiu.

Fonte: Expresso



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