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NEGÓCIOS E ECONOMIA

04/05/2020

Bolsas registram primeiro mês de ganhos em 2020 [Portugal]

A capitalização bolsista mundial subiu €7 biliões em abril, depois de um trimestre em que acumulou €20 biliões em perdas. Investidores responderam positivamente a mais de €10 biliões de impulso orçamental à escala mundial e ao reforço dos pacotes de estímulos dos bancos centrais conta a pandemia da covid-19

Depois de três meses sempre a cair, o índice mundial de bolsas MSCI registou um ganho de 10,6% em abril.

A capitalização bolsista global subiu o equivalente a 7 biliões de euros, depois de ter emagrecido 20 biliões de euros entre janeiro e março, de acordo com contas do Expresso a partir de dados da capitalização mundial da World Federation of Exchanges no final de 2019.

No entanto, analistas da Société Générale, a partir do caso de Wall Street desde 1870, advertem, num estudo agora publicado, que se pode tratar de "uma falsa retoma" nas bolsas que vivem mais um período de trajetória descendente (bear market), em que o ponto mais baixo pode não ter sido ainda atingido.

A melhoria no ‘sentimento’ dos investidores derivou da consolidação em março e abril da intervenção governamental e dos bancos centrais para fazer face à pandemia.

O que compensou, por agora, o impacto dos primeiros dados dos estragos provocados pela covid-19 em algumas das maiores economias do mundo no primeiro trimestre do ano. O Produto Interno Bruto da China afundou-se 6,8%, um recorde desde 1976 no final do maoismo, o dos Estados Unidos caiu 4,8%, a maior queda desde o último trimestre de 2008, e o da zona euro 3,3%, o maior recuo desde 1995.

As maiores economias do mundo avançaram até à data com pacotes orçamentais que somam já 10 biliões de euros, com destaque para a União Europeia (3,2 biliões, incluindo Comissão Europeia, pacote aprovado pelo Conselho Europeu a 23 de abril e estímulos aprovados pelos estados membros), os Estados Unidos (2,7 biliões em três pacotes), o Japão (1 bilião) e a China (655 mil milhões), segundo dados recolhidos pelo Fundo Monetário Internacional.

Na frente monetária, 25 bancos centrais de economias emergentes e em desenvolvimento cortaram as taxas diretoras em abril e o Banco Central Europeu (BCE) lançou uma nova linha de financiamento aos bancos destinada a dar liquidez ao mercado neste período de pandemia - designada pelo acrónimo PELTRO - que deverá envolver 2 biliões de euros. Os analistas consideram que esta linha é similar à VLTRO (Very Long Refinancing Operations) lançada em 2011 e que acabou por financiar a compra de dívida soberana por parte dos bancos da zona euro durante a crise das dívidas.

FED E BCE COM BALANÇOS EM NÍVEIS RECORDE

Os dois maiores bancos centrais do mundo, a Reserva Federal (Fed) dos EUA e o BCE, começaram a implementar em força os programas de aquisição de ativos no mercado reforçados ou criados em março.

Os balanços da Fed e do BCE subiram para níveis recorde. O banco central norte-americano regista 6,7 biliões de dólares (€6 biliões) de ativos, representando mais de 31% do PIB do país. 59% desses ativos são títulos do Tesouro. No caso do BCE, os ativos somam 5,35 biliões de euros, mais de 40% do PIB da zona euro, e a carteira de títulos comprados para fins de política monetária representa 53% do balanço.

ZONA EURO COM GANHO MENSAL MAIS BAIXO

Os ganhos mais elevados em abril, em termos de grandes ‘regiões’ dos mercados cobertos pelos índices MSCI, situaram-se em Nova Iorque, onde estão as duas mais importantes bolsas do mundo, que registaram uma subida de 13%, com destaque para o índice Nasdaq das tecnológicas que avançou 19%.

A zona euro foi a ‘região’ coberta pelos índices MSCI com o ganho mais baixo em abril, de 5,5%, onde se destacou a bolsa de Frankfurt, com o índice DAX a subir 13,5%. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 7,3%. O índice MSCI para a América Latina subiu 6% e o relativo à Ásia Pacífico avançou 8%.

O ‘clube’ das subidas de dois dígitos em abril inclui os índices de referência das bolsas da Índia (19%), Paquistão (17%), Hanói (17%), Tailândia (14%), Taiwan (13%), EUA (13%, com o Dow Jones 30 registou o melhor mês desde 1987), Turquia (13%), Coreia do Sul (12,9%), Canadá (12,9%), Áustria (12,4%), Brasil (11,4%), Suécia (11%), Polónia (10,5%) e Japão (10%). A maioria deste grupo são bolsas de mercados considerados emergentes, que, no conjunto, registaram, em abril, um ganho de 9%.

PREÇOS DAS MATÉRIAS-PRIMAS CAÍRAM QUASE 4%

No mercado das commodities o impacto recessivo da pandemia da covid-19 está a fazer sentir-se em pleno e a afetar seriamente as economias exportadoras de matérias-primas, nomeadamente os países emergentes e mais pobres especializados nessas produções.

Abril foi marcado por fortes quebras nas cotações das matérias-primas energéticas, café e paládio, com reduções de dois dígitos. No conjunto das 19 matérias-primas cobertas pelo índice CRB da Reuters, a queda foi de 3,8%.

O destaque nas quedas vai para o preço do barril norte-americano, que registou uma derrocada mensal de 24%, incluindo duas sessões, a 20 e 21 de abril, em que desceu para preços negativos, chegando a -40,32 dólares, uma cotação momentânea jamais registada.

O preço do barril de Brent, de referência na Europa, recuou 11% e fechou o mês em 25,27 dólares, em mínimos de 17 anos. Na sessão de 22 de abril, a cotação chegou a cair para 15,98 dólares, que não se observava desde 1999.

O preço do café no mercado norte-americano perdeu 11% e o paládio, um metal mais caro do que o ouro que é crítico para a indústria automóvel, viu a cotação cair 10%.

Estas três matérias-primas são um bom espelho dos choques simultâneos pelo lado da queda da procura (consumo de café e carburantes, paládio para a indústria automóvel) e de problemas graves na oferta (pandemia afeta colheitas e tornou problemática a armazenagem do ouro negro com o excesso de produção).

Mas, noutro sentido, um conjunto de matérias-primas agro-pecuárias (porco, algodão, aveia, arroz, açúcar), os metais preciosos (preço da platina destacou-se com uma subida de 7,8%, superior ao aumento de 2,7% para o ouro e 1,6% para a prata) e vários metais industriais viram as cotações subir.

Fonte: Expresso

 

 



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