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NEGÓCIOS E ECONOMIA

18/05/2020

Covid-19. Turismo português prevê sair mais forte da crise [Portugal]

Portugal está com a cotação alta no exterior pela forma como lida com a pandemia, as empresas já vêem "alguma luz ao fundo do túnel", e a ANA a admite que possa haver uma retoma de 50% dos voos nos aeroportos em agosto e setembro

O turismo em Portugal está bem posicionado para saír mais forte da crise da Covid-19, mas exige que todos os intervenientes continuem a trabalhar em conjunto, e evitando "tentações" como baixar os preços - são algumas conclusões do seminário que a Nova SBE lançou esta sexta-feira via web, sob o tema: "E agora? Turismo: a reinvenção de um sector".

O relançar dos voos nos aeroportos ainda está por definir, mas no verão é de esperar que já possa haver algum volume de turismo externo. "Vamos ter uma retoma progressiva até ao fim do ano do transporte aéreo. Não vamos chegar aos níveis de 2019, mas podemos esperar uma retoma de 50% nos aeroportos nacionais em julho e setembro", adiantou Thierry Ligonnière, CEO da ANA-Vinci, frisando que os aeroportos portugueses "estão na linha da frente a nível europeu em medidas sanitárias, e prontos para receber os passageiros em segurança".

"A crise vai ser dura, e a nossa responsabilidade nesta fase de transição é assegurar que Portugal mantenha a atratividade para começarmos a reabrir as rotas de forma segura, e tendo em conta que 95% dos turistas chegam a Portugal de avião. Mas a primeira prioridade é sempre garantir a saúde", advertiu o CEO da ANA, enfatizando a importância do selo 'Clean & Safe' criado pelo Turismo de Portugal para dar confiança aos turistas, e que também vai passar a ser adotado pelos aeroportos, somando-se aos hotéis, restaurantes, agências de viagens ou rent-a-car. "É importante que, além dos aeroportos, toda a cadeia logística transmita segurança aos clientes", sublinhou.

PESTANA PREPARA A REABERTURA DE 10 HOTÉIS EM JUNHO

O grupo Pestana, que fechou todos os hotéis em Portugal desde o final de março devido à pandemia, diz começar a ver "a luz ao fundo do túnel" desde que reabriu os golfes, que representam 5% do seu negócio. "Já foi um motivo de alegria. É muito melhor trabalhar em reaberturas que em encerramentos", frisou o CEO, José Theotónio, adiantando que o grupo se prepara para reabrir em junho 10 hotéis, incluíndo 6 Pousadas "sobretudo de menor dimensão", e "se o turismo interno funcionar bem, abriremos em julho mais 10 unidades".

"Vai ser um teste ao mercado nacional, que representa 30% da nossa atividade", referiu o presidente executivo do grupo Pestana, frisando que "a verdadeira retoma vai depender de mercados internacionais, pois sem transporte aéreo não há turismo em Portugal".

"Sabemos que a retoma vai ser muito gradual, no melhor cenário podemos ter em setembro 50% da nossa capacidade preenchida, e não vamos reabrir todos os hotéis este ano", e mesmo com o relançar faseado de voos "nunca decorrerá antes de 18 a 24 meses", e até lá "as empresas têm de se habituar a viver na austeridade para sobreviver até chegar verdadeiramente a recuperação", sustenta José Theotónio.

Nesta retoma, "todos vamos precisar de todos, e é fundamental que cada um consiga manter a identidade do produto e do local sem entrar numa disputa em que é fácil caír, que é baixar os preços", defende Margarida Almeida, diretora e fundadora da Amazing Evolution, que gere um portefólio de empreendimentos turísticos em diversas regiões do país, marcado sobretudo por pequenos hotéis de charme. A gestora destaca que "apesar da travagem a fundo, em que os hotéis pararam de um dia para o outro, a verdade é que houve uma mensagem de apoio, como o processo de 'lay off' simplificado, o que foi muito importante para evitar que no imediato houvesse unidades a fechar e a despedir pessoas. Estamos todos sintonizados para uma retoma com cuidado, e sem que haja um retrocesso. Não sei se haverá outro país onde isto acontece desta forma".

O presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, concorda que "baixar o preço é o maior erro que se pode fazer, mas reconheço que é a maior tentação". Frisando que "o potencial continua cá, e com tudo o que fez de nós o melhor destino do mundo", Luís Araújo aponta que a "lição de futuro que aprendemos é que as empresas têm de estar atentas a tudo o que envolva eficiência, temos de saír disto juntos e depressa".

 

Fonte: Expresso



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