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21/07/2020

Educação e Lusofonia [Colégio Português de São Paulo]

António Montenegro Fiúza

Luís Vaz de Camões é um dos mais conhecidos líricos da Língua Portuguesa, tendo escrito, no decurso do século XVI, a primeira poesia épica de Portugal, a qual retratava, de forma heroica e prodigiosa, o percurso dos navegadores lusitanos na descoberta do caminho marítimo para a Índia. Autor de sonetos, redondilhas e glosas, no estilo lírico, épico ou teatral, é conhecido como o pai da Língua e da Literatura Portuguesa; embora tal designação seja alvo de algum debate e não pouca polémica, por parte de vários estudiosos, é inegável o seu grande contributo para que a mesma se consolidasse. Por todos os locais por onde a Língua Portuguesa passou, ela criou raízes e deu frutos, uniu-se às línguas e expressões maternas e transformou-se em variantes ricas e diversas, em manifestações culturais que moldaram e que moldam, ainda no presente, mentes e povos e que fundaram nações inteiras.

Jorge Barbosa, escritor cabo-verdiano cantou os «rumores das coisas simples da minha terra...// Dos trapiches// quando esmagam a cana para o grogue // com os bois pacíficos a rodar, //
sempre a rodar // ao som desse canto que vem dos currais // numa cadência estranha de nostalgia, // que deixa um arrepio a morrer no ar…»

Gonçalves Dias expressou as saudades do solo brasileiro, ao exclamar e clamar: «minha terra tempalmeiras, // Onde canta o Sabiá; // As aves, que aqui gorjeiam, // Não gorjeiam como lá.// nosso céu tem mais estrelas,// Nossas várzeas têm mais flores, // Nossos bosques têm mais vida, // Nossa vida mais amores.» E o angolano Pepetela expressou a sua esperança, no poema “O Içar da Bandeira” Quando eu voltei qualquer coisa gigantesca se movia na terra os homens nos celeiros guardavam mais os alunos nas escolas estudavam mais o sol brilhava mais e havia juventude calma nos velhos mais do que esperança era certeza mais do que bondade era amor. Autores como Amílcar Cabral, Baltasar Lopes da Silva, Jorge Amado, Odete Semedo, Chico Buarque, Mia Couto e tantos outros são flor e fruto desta língua. Mais do que reino de reis e nobres, os navegadores portugueses criaram uma nação de irmandade unida pelos laços da Língua Portuguesa, a qual tem sido vivida e utilizada para expressar amores, dores, esperanças, tristezas, passado, presente e futuro.

António Montenegro Fiúza é CEO – Chief Executive Officer do Grupo Lusófona Brasil

Fonte: O Fluminense



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