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MUNDO

03/08/2020

Womex 2021. Maior festival (e mercado) de música do mundo pela primeira vez em Portugal - e no Porto

Depois de um “namoro de quase 20 anos”, foi possível trazer a Portugal o “maior evento global da indústria musical”. A estreia do Festival Womex está agendada para outubro de 2021, com o Porto como cidade anfitriã

Um festival com mais de 300 stands, quatro feiras a ocorrer simultaneamente, um ciclo de conferências, mas também filmes e showcases. De muitos tentáculos se faz a maior celebração da música do mundo e do mundo nela.

De 27 a 31 de outubro de 2021, numa estreia absoluta em Portugal, a Womex 2021 trará à invicta músicos, produtores, agentes, managers de todo o lado, ao mesmo tempo que será uma montra para os portugueses que trabalham na música.

A edição sucede à que se realizará este ano em Budapeste, na Hungria, e à de 2019 em Tampere, na Finlândia, Portugal terá oito salas a funcionar cinco dias e cinco noites, vai receber cerca de 260 artistas de todos os continentes, 520 editoras e distribuidoras, mais de 500 órgãos de informação internacionais e 60 espetáculos que envolvem três centenas de músicos de 50 nacionalidades diferentes.

Para isso, haverá, entre entidades públicas e privadas, um investimento de cerca de 1,7 milhões de euros, afinca António Miguel Guimarães, diretor da AMG Music, produtora responsável pela realização do festival no país. A Câmara do Porto avançará com 615 mil euros e o Ministério da Cultura com outros 200 mil.

Criado para ser, como a organização o intitula, “o mais internacional dos encontros musicais do mundo”, o Festival Womex estava há mais de vinte anos a namorar com Portugal. Mas era um namoro demorado, daqueles em que parecem faltar ingredientes para que se avance para um enlace mais comprometido. Enquanto 32 artistas portuguesas já tinham passado por edições anteriores, entre eles Carminho, Camané, António Zambujo, Gisela João e Mariza - que até ganhou um Womex Award, na edição de 2014 - faltavam sobretudo apoios, diz António Miguel Guimarães.

Já em 2015 a Womex havia aparecido nos planos de Rui Moreira. À frente da Câmara do Porto desde 2013, nessa altura sabia que a autarquia sozinha “não tinha capacidade de o fazer”, porque “quer as finanças municipais não permitiam”, quer Portugal não tinha recursos disponíveis”. Desta vez, esses apoios surgiram" e revela agora que conseguiu ajudar a engendrar a candidatura responsável por levar Portugal a ser escolhido, pela primeira vez, a acolher o festival que “"vai rodar um pouco por toda a cidade": desde o Teatro Rivoli, onde foi apresentado, ao Cinema Passos Manuel, passando pelo Coliseu, pelo Hard Club, pela Alfândega do Porto, pelos teatros Nacional de São João e Sá da Bandeira, por um tenda montada na Praça D. João I, terminando na Casa da Música, com a entrega dos mais prestigiados Prémios de Músicas do Mundo.

“Era muito importante que funcionasse numa cidade onde as pessoas se cruzam a pé", garante Rui Moreira, admitindo que "essa circunstância faz do Porto uma cidade única, com imensos espaços", para acolher o evento que considera ser “muito mais do que um festival musical: é a grande feira da música em que produtores e músicos travam diálogos entre si e, através desses diálogos, fazem gerar novos produtos".

Para Graça Freitas, ministra da Cultura, o projeto, apoiado por decisão governamental, é um “dois em um”: representa “um encontro de pessoas de muitos países a conhecer o Porto e o país, assim como os nossos músicos e, por outro lado, traz a possibilidade de os artistas portugueses estarem em contacto outros músicos, agentes, organizações de diferentes partes do mundo e, assim, facilitarem a entrada numa rede global", assegurou durante a apresentação do evento.

A ameaça do contexto social dos tempos atuais tornou a organização do festival a repensá-lo. Se é certo que não podemos prever em que fase estará a pandemia provocada pelo novo coronavírus daqui a um ano e meio, já é líquido que, quando começaram, há dois anos, as conversações com Alexander Walter, o diretor do festival, “o contexto era de expansão e agora vai ser de recuperação e de reestruturação". Fazê-lo será "fundamental para as carreiras dos artistas, suspensas nesta altura", admite António Miguel Guimarães. Também por isso Graça Freitas atira a possibilidade de “tentar que seja um compromisso que vá para além de um ano. Vamos ver".

Fonte: Expresso

 




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