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MUNDO

31/08/2020

Poeta português Ernesto Manuel de Melo e Castro morreu aos 88 anos

O poeta, ensaísta e artista plástico português Ernesto Manuel de Melo e Castro, que vivia no Brasil, morreu no sábado à noite em São Paulo, aos 88 anos, anunciou a sua filha, Eugénia Melo e Castro.
Numa publicação na rede social, a artista e cantora Eugénia Melo e Castro anunciou a morte do pai e poeta português E. M. de Melo e Castro, aos 88 anos.

“Um dos mais importantes Poetas e Homem de Artes e Cultura do Mundo”, escreveu na rede social.

E. M. de Melo e Castro foi pioneiro da poesia experimental em Portugal, bem como em engenharia têxtil no país, nas décadas de 1950/1960.

Licenciado em engenharia têxtil, mas com um percurso sempre ligado à literatura, tendo feito um doutoramento em Letras na Universidade de São Paulo, era um dos artistas portugueses mais acarinhados pelo público brasileiro, país onde vivia há mais de 20 anos.

História

Nascido na Covilhã (Portugal), Melo e Castro foi “a personalidade mais destacada de um movimento marcante da cultura portuguesa contemporânea e um escritor e artista que muito contribuiu para o diálogo luso-brasileiro”, afirmou o Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, em nota de pesar endereçada à Família de Ernesto Melo e Castro.

Em 2017, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa agraciou o poeta e artista plástico com o grau de Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, em cerimónia realizada no Consulado-Geral de Portugal em São Paulo, onde foi apresentada, nessa ocasião, a exposição “Tempo: Ilusão Imprecisa”, uma retrospectiva da obra de E.M. Melo e Castro.

Pioneiro da Poesia Visual concreta, E. M. de Melo Castro participou no primeiro número da revista Poesia Experimental 1 (Po.Ex.), em 1964; Dois anos mais tarde, foi um dos organizadores do segundo número desta publicação, já com a colaboração de poetas estrangeiros. Em 1977, E.M. Melo e Castro participa, com os poetas Ana Hatherly, António Aragão e Silvestre Pestana, na XIV Bienal de São Paulo (1977).

“Quase toda a Poesia Experimental Portuguesa produzida a partir do início da década de 60 se pode inscrever dentro de uma denominação geral de POESIA ESPACIAL, uma vez que as suas coordenadas visuais são dominantes. De facto foi e é no campo das experiências visuais e espaciais do texto, considerado como matéria substantiva que o poema se produz, que a pesquisa morfológica, fonética, sintáctica e semiológica se projectou e projecta”, escreve E.M. de Melo e Castro na abertura do texto escrito para o catálogo da representação portuguesa à XIV Bienal de São Paulo.

Recentemente, E.M. de Melo e Castro colaborou com a curadora brasileira Bruna Callegari na realização da exposição “PO.EX. – Poesia Experimental Portuguesa”, apresentada na Caixa Cultural de Brasília, em 2018. A exposição resultou da recolha de peças diversas – impressões, pinturas, caligrafias, fotografias, objetos, áudios e vídeos -, num total de 80 trabalhos de 18 poetas/artistas portugueses, realizados ao longo de seis décadas.

“O Embaixador de Portugal no Brasil, Jorge Cabral, apresenta sinceras condolências à Família de E. M. de Melo e Castro.” divulgou o órgão.

Fonte: Mundo Lusíada



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