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MUNDO

08/09/2020

Companhia Circolando festeja 20 anos com estreia no Teatro Carlos Alberto

A companhia do Porto Circolando apresenta, de hoje a domingo, o espetáculo '20.20', com que assinala 20 anos de existência entre a festa, "o suor" e "fragmentos e memórias", que transbordam dos corpos em palco.

A produção, que teria data de estreia em abril, adiada devido à pandemia de covid-19, regressa agora não sendo "o mesmo que iria estrear", por os criadores terem "vantagens de tempo de pensamento e distância", o que lhes permitiu alterar algumas coisas, explica à Lusa André Braga, que, além de subir ao palco, assume, com Cláudia Figueiredo, a direção artística.

Assim, o espetáculo apresenta cinco intérpretes em palco, entre colaboradores "antigos e outros mais recentes", e mesmo uma estreia, num diálogo que se faz entre o corpo físico de cada um, a música e as luzes.

O que é apresentado "não tem nada de 'best of'", mas antes de ideias a que quiseram voltar, refere André Braga, após um ensaio destinado a jornalistas, realizado na terça-feira.

"É mais celebratório de uma rebeldia. O futuro [da companhia] é não saber. Há sempre uma vontade de encaixar-nos num lugar. Estamos fartos e a pensar deitar fora o nome, porque continuam a perguntar-nos, 20 anos depois, 'onde é que está o circo?'", atira.

"20.20" segue uma narrativa aberta, explica Cláudia Figueiredo, no qual se começa "num lugar muito plano, da memória", para depois se explorar "a ideia de que os corpos têm muitos estratos, feitos de fragmentos e memórias".

"Isso tudo pode emergir e vir a uma superfície. Ficcionamos esta coisa como se, de repente, alguns estratos fossem sugados e quisessem irromper", acrescenta.

Esse "frenesim, essa mistura de sentimentos", quase em excesso, afirma, levou a que o corpo, que quer "deitar tudo para fora, de forma meia caótica, livre e explosiva", subisse ao palco.

"Depois, vimos para um plano mais luminoso, mais calmo, onde é possível novos encontros. São as nossas linhas", comenta a também diretora artística.

O "turbilhão" foi acionado junto do arquivo da companhia para encontrar "lugares escondidos" e trazê-las de volta, mas para "ir a novos lugares" e não compilar os melhores momentos.

Para o futuro, experimentar novas valências e "aprofundar caminhos" artísticos é a única "certeza", depois de um espetáculo que é "mais experimental, físico, performático e mais ligado à dança".

Seguir-se-ão, afirma André Braga, "outros mais ligados ao teatro, ao documental, ao território e às pessoas", além do projeto Central Elétrica, um centro de criação no Porto, com curadoria de Pedro Vilela, no qual querem dar "muita importância aos projetos".

Quanto a "20.20", este terá quatro récitas, uma por dia, entre hoje e domingo, com a lotação reduzida a 70 lugares, razão pela qual querem voltar a apresentá-lo no Porto.

"Esperemos que a pandemia passe e isto seja mais festivo. Assim, não me apetece festejar grande coisa, nestes tempos difíceis", desabafa André Braga.

Outro destaque neste espetáculo, em que os intérpretes atravessam o plano da memória, a expressão física e o movimento até um "êxtase", quase como uma festa de discoteca, prende-se com o som e a luz.

"Demos muito mais espaço à luz e ao som e eles [Rui Lima e Sérgio Martins, no som, e Cárin Geada, na luz], porque são criadores, aparecem com muita força. No som, há a acumulação de memórias e vozes, a ideia do não-lugar", recupera o diretor artístico.

Até os numerosos 'confetti' espalhados pelo chão do palco serviram para tornar a luz mais presente, assim como a narrativa, por terem "esse duplo lado de serem fragmentos e de festa".

"Depois da primeira parte mais da memória, do tempo, vem uma celebração da vida" e do ato de criação, resume Cláudia Figueiredo.

Além de André Braga, Ana Isabel Castro, Bruno Senuna, Constanza Givone, Daniela Cruz, Félix Lozano e Ricardo Machado assumem a co-criação de "20.20", uma coprodução com o Teatro Nacional São João, que gere o Teatro Carlos Alberto, o Teatro Municipal São Luiz e o Teatro Aveirense.

Fonte: Notícias ao Minuto

 



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