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22/09/2020

Opinião: Educação e lusofonia [Colégio Português de São Paulo]

Mais uma vez, sou agraciado pela chuva amiga, na minha estadia em Cabo Verde, tal como acontece em todas as visitas que faço ao país. Cai uma chuva miudinha no Mindelo, batendo sobre os telhados, sobre as calçadas, sobre a terra seca e árida, nas encostas das montanhas, nas praias arenosas; chove melodiosamente enquanto o vento assobia, entrando no compasso da música.

Em tom de alegria e festa, meninos correm pelas ruas, banham-se na água que cai dos céus, não das nuvens apenas, mas enviada por uma Mãe Natureza carinhosa e abençoadora; as crianças gritam e pedem às montanhas que se fechem, para que chova ainda mais, assim diz a tradição “rotxa fitxa más pa txuba pode dá” (trad.: montanha fecha-te mais para que possa chover, em crioulo do barlavento cabo-verdiano).

Chove uma chuva miudinha em Cabo Verde; é Setembro e começa o tempo d’ azáguas – uma aliteração do crioulo cabo-verdiano que significa “as águas”; os campos verdejam, renasce a esperança de um bom ano agrícola, os mais velhos relembram os idos tempos de bonança e de abastança e tentam esquecer os muitos anos de estiagem e de fome.

No arquipélago, chuva é sinónimo de riqueza; pouco chove, apenas em dois ou três meses do ano, por isso, é vista como uma verdadeira bênção, como uma prova viva da divina misericórdia; num país sem rios, apenas pequenas ribeiras salpicam as paisagens em algumas poucas ilhas, fontes subterrâneas poucas e parcamente exploradas, txuba tem ki cai pa alimenta povo (trad. a chuva tem de cair, para alimentar o povo).

A falta de chuvas, os maus anos agrícolas levaram milhares de cabo-verdianos a emigrarem, espalhandose um pouco por todo o mundo; quantas famílias separadas, amores impossibilitados, sonhos desertados; quantas mornas compostas, cantando a saudade da terra, saudade do crêtxeu (tradução literal: quero muito, bem querer) e a vontade de voltar, de regressar às origens.

Novas profissões emergem, a vida agrícola vai perdendo a sua importância, barragens são construídas, tecnologias e técnicas são utilizadas para melhor aproveitar os recursos hídricos, mas no fundo do coração, no âmago da alma, no íntimo canta ainda uma voz fininha de esperança, um apego à terra, que espera a chuva e espera, na chuva, a melhoria das condições de vida.

Bem no alicerce do ser, a alma trauteia uma melodia e delonga o compasso da chuva, o ritmo das gotinhas que caem no chão, para compor a canção da esperança e da vida.

 

Fonte: O Fluminense



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