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03/11/2020

Opinião: Educação e lusofonia [Colégio Português de São Paulo]

Entardece em São Tomé! O dia chega ao seu término e a noite começa a ganhar terreno, envolvendo o afã do quotidiano nas doces melodias de um violão; enquanto isso, as famílias vão se juntando, alegres e estrepitosas, para apreciar o frescor e a tranquilidade do sereno e a companhia uns dos outros.

As crianças e os adolescentes, aos magotes, regressam à casa, depois de um dia de escola – algumas percorreram quilômetros em terra batida; outras, vieram de mais perto, da doce escola do bairro, onde todos lhes são conhecidos e onde são conhecidos de todos. As mães não param: fazem o jantar, dão banho a este, penteiam a aquela; e, bem ao longe, ninguém sabe de que casa ao certo, o som da rádio toca uma ússua1 e, entre um passo de dança e um afazer, a lua começa o seu reinado, soberana e serena.

Duas ilhas, a de São Tomé e a do Príncipe e um ilhéu, o das Rolas – por onde passa a Linha do Equador e onde, diz-se, fica o centro do mundo, compõem este pequeno território insular, um verdadeiro paraíso. O menor país da Lusofonia não o é, entretanto, no seu percurso: São Tomé e Príncipe respira história e entrelaça a sua cronologia à de várias outras pátrias de língua portuguesa, nas roças de café e de cacau, onde os anais de tantas pessoas foram escritos a duras penas.

Entardece em São Tomé, e da esplanada do hotel, observo o pôr-do-sol enquanto acompanho as palavras de Guadalupe de Ceita - médico, escritor e combatente da pátria: fala-se de história, de lutas e de dores, desde o tempo dos engenhos e das roças, à luta pela independência, até ao futuro, distante que se tem de construir. O ancião que trabalhou ao lado do pai – enfermeiro nas roças, desde os sete anos de idade, conhecedor da realidade pura e crua do seu povo, acompanhou-o nas suas metamorfoses e nas suas aflições e sonha ver ainda, do alto dos seus 91 anos de idade, um país triunfante.

Entardece em São Tomé, o silêncio invade o dia, apenas se ouvem os grilos no seu trinado, pela noite dentro enquanto o luar inunda os cómodos da casa; as janelas permanecem abertas, para que o ar suave da noite nos envolva e nos liberte do calor do dia, esse calor húmido que inunda a pele de uma fragrância doce.
Cheira a café, cheira a cacau.

Fonte: O Fluminense



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