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MUNDO

07/12/2020

Espetáculo “Atlântico” estreia em Lisboa para resgatar colonização do Brasil

Uma viagem de cruzeiro entre Portugal e Brasil que resgata e cria ficção da chegada e a colonização portuguesa neste território, é como Tiago Cadete define o espetáculo que se estreou dia 03 no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

“Atlântico”  tem uma “materialização muito próxima de uma espécie de videoarte ou de uma espécie de cinema” de alguém que fez uma viagem e, “sem moralismos”, a partilha com o público, acrescentou Tiago Cadete, em entrevista à agência Lusa.

No espetáculo que agora se estreia no D. Maria II – e com o qual o criador esteve em residência artística, em julho, em Coimbra, no âmbito da última edição do festival Citemor –, Tiago Cadete resgata histórias da chegada dos portugueses ao Brasil assim como dos contatos que os povos autóctones tiveram com os navegadores e colonizadores portugueses, acrescentou à Lusa.

“Sem moralismos”, “Atlântico” é um espetáculo que fala da violência que foi a colonização do Brasil quer para os povos indígenas, como a escravidão ou o saque das matérias-primas que alimentaram a coroa, a elite portuguesa e algumas associações religiosas da época, como para os navegadores e colonizadores portugueses “que seguiam indicações da monarquia vigente”, disse.

Um espetáculo que serve para revelar “um outro lugar da História”, que não o do “ponto de vista dos heróis” com que “todos os Estados-Nações consolidaram uma identidade”, mas que questionará outros pormenores que a História deixa por contar, referiu.

“Atlântico” não é, porém, “um trabalho de destruição de um ego coletivo”, até porque a condição do criador, como migrante no Brasil desde há oito anos para cá, lhe permitiu “reedificar a identidade”.

Até porque, com o trabalho de investigação que tem desenvolvido no Brasil e com os espetáculos que tem feito tem conseguido “um equilíbrio pessoal”, sentindo-se “mais pertencente” a Portugal, mesmo “sabendo agora que na história nem tudo foi um mar de rosas”.

Tal como o oceano Atlântico não o foi. Por isso, socorre-se também da imagem como metáfora para o oceano que “não foi, nem é, de certeza, um mar de rosas”. É, sim, constituído por “muitas camadas no seu solo, que guardam muitas injustiças, mas também muitas superações”, enfatizou.

Criado, interpretado e com vídeo do artista português, “Atlântico” resulta de uma viagem de 15 dias iniciada em 01 de dezembro de 2019.

O mote para a viagem foi-lhe “dado, há três anos, por D. Rosa, uma emigrante portuguesa com 82 anos residente no Rio de Janeiro”.

A viagem “assustadora” que D. Rosa fez “de barco, quando era muito nova” entre Portugal e o Brasil fora-lhe narrada pela própria, numa das últimas conversas que manteve com migrantes portugueses residentes naquele país sul-americano para o espetáculo “Entrevistas”.

Estreado em maio de 2018, no Espaço Gaivotas, em Lisboa, “Entrevistas” constituía “um pequeno acervo sobre a migração portuguesa no Brasil”, como o definiu na altura, à Lusa, o criador e intérprete.

Tiago Cadete nasceu em Faro, em 1983, e vive atualmente entre Lisboa e Rio de Janeiro. Como ator trabalhou, entre outros, com João Brites e Jorge Silva Melo, responsáveis pelas companhias O Bando e Artistas Unidos, respetivamente.

Criador das peças “Highlight”, “Golden” e “Alla prima”, desde 2009 que trabalha regularmente com Raquel André, com quem criou as peças “No digital”, “Last” e “Turbo_lento”, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), Gestão de Direitos de Artistas (GDA) e Direção-Geral das Artes (DGArtes).

Colaborou também com o Serviço Educativo da Culturgest e foi artista associado da Eira.

Com música de Bruno Pernadas, luz de Rui Monteiro, figurino de Carlota Lajido e apoio à dramaturgia de Bernardo de Almeida, “Atlântico” tem ‘voz off’ de Leonor Cabral.

Em cena até 11 de dezembro, “Atlântico” estreia-se hoje, às 20:30. Terá sessões duplas, às 18:30 e às 20:30, na sexta-feira, bem como nos dias 09, 10 e 11. Trata-se de uma produção conjunta de Co-pacabana, Teatro Nacional D. Maria II, Teatro Municipal de Faro – onde era para ter sido apresentado em antestreia cancelada devido à pandemia de covid-19 – e do Festival Citemor.

Fonte: Mundo Lusíada



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