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NEGÓCIOS E ECONOMIA

14/12/2020

Universidade de Coimbra vai liderar experiência na Estação Espacial Internacional [Portugal]

Cientistas da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram novos sensores para as câmaras dos telescópios de raios X e gama enviadas para o espaço, que vão ser testados a bordo Estação Espacial Internacional, no âmbito de uma missão que a Agência Espacial Europeia (ESA), deverá lançar entre o final de 2021 e o início de 2022.

Trata-se de uma experiência científica liderada por Rui Curado Silva, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC e investigador do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), refere um comunicado da Universidade de Coimbra.

Segundo o comunicado, a experiência foi selecionada no âmbito do concurso Euro Material Ageing, promovido pela ESA, com o objetivo de "analisar os efeitos do ambiente espacial nos materiais das câmaras dos futuros telescópios de raios gama".

"Estes sensores quando expostos ao ambiente de radiação orbital no espaço são danificados e o seu funcionamento degrada-se com o tempo. Até hoje, estes efeitos nunca foram estudados com a requerida profundidade para este tipo de sensores", explica Rui Curado Silva, coordenador da experiência espacial.

Alguns dos sensores desenvolvidos na UC vão ser enviados para o espaço e instalados na plataforma Bartolomeo, que está no exterior da Estação Espacial Internacional, "exposta ao ambiente exterior de radiação, com variações de temperatura extremas: cerca de -150°graus celsius quando orbita do lado noturno da Terra e 120°graus quando se encontra do lado do sol".

A missão, cujo lançamento está previsto acontecer entre final de 2021 e meados de 2022, vai durar um ano e testar os sensores à exposição da radiação e a ciclos extremos de variação de temperatura na plataforma.


Os sensores serão depois reenviados para Coimbra para serem ligados e testados para aferir da sua operacionalidade e, caso funcionem, qual o nível de degradação do seu funcionamento.

A partir desta análise, "a equipa poderá então validar ou não estes sensores para serem utilizados nos futuros telescópios espaciais para astrofísica de altas energias, bem como perceber como será possível produzir sensores ainda melhores", refere o comunicado.

"A astrofísica de altas energias poderá beneficiar muito deste desenvolvimento tecnológico, em particular a compreensão da física das recém-descobertas ondas gravitacionais, que são medidas em instalações terrestres em simultâneo com fortes explosões de raios gama que são medidas no espaço por telescópios espaciais", refere Rui Curado Silva.

Segundo o especialista, "esta deteção simultânea através de dois mensageiros diferentes (ondas gravíticas e raios gama) designa-se como astrofísica multimensageira e é atualmente um dos tópicos mais relevantes da astrofísica".

Além da UC, o projeto de desenvolvimento dos sensores espaciais integra investigadores da Universidade da Beira Interior, do Observatório de Astrofísica e Ciências do Espaço de Bolonha, do Instituto Nacional de Astrofísica de Itália e do Instituto de Materiais para Eletrónica e Magnetismo do Conselho Nacional de Investigação de Parma (Itália).

Fonte: Expresso



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