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NEGÓCIOS E ECONOMIA

18/01/2021

Procura de moradias cresce 34% [Portugal]

A nível nacional, o interesse por comprar moradias ultrapassa o por apartamentos, revela o portal Idealista

A crise sanitária provocada pela covid-19 fez aumentar o interesse por habitações maiores e com espaços exteriores, como varandas, terraços, jardins e piscinas. A procura de moradias para compra em Portugal aumentou 34% entre janeiro e dezembro de 2020, revelam dados do portal imobiliário Idealista, a que o Expresso teve acesso. O interesse pela compra de moradias cresceu 46% no Porto, seguido por Lisboa (32%), Évora (31%) e Funchal (31%). Já o interesse por imóveis com jardim e piscina aumentou 29% em Portugal.

Sinais dos tempos de confinamento são sentidos também na compra de apartamentos, onde a procura de imóveis com varandas e terraço cresceu 32% no país no período em análise. Porto e Lisboa destacam-se na procura deste tipo de apartamentos, com crescimentos de 47% e 46% entre janeiro e dezembro de 2020, respetivamente. Um estudo do Idealista, publicado esta semana, revela que “em termos gerais do país, a procura por moradias é maior que por apartamentos”.

“No estudo percebemos que os imóveis que geram cada vez maior interesse para compra são as moradias, com exceção das grandes cidades como, por exemplo, Lisboa, Porto e Setúbal, onde domina a procura por apartamentos T2”, afirma Inês Campaniço, responsável pelo Departamento de Data do Idealista em Portugal.

“Desde o início da pandemia que as pessoas procuram mais espaço tanto interior como exterior”, acrescenta.

FARO COM MORADIAS MAIS CARAS
O estudo do portal imobiliário relativo a novembro revela que é no distrito de Faro que os compradores estão dispostos a pagar os valores mais altos, com moradias com áreas mínimas de 220 m2 a atingir preços máximos de €642.501. Porém, há uma grande diferença de comportamento entre o distrito e a cidade. “No distrito, em zonas como Albufeira, Vilamoura e Quarteira, os preços mais elevados revelam a procura de segunda residência e de compradores estrangeiros, enquanto na cidade é completamente diferente e são os T2 (€250 mil) que lideram”, explica. Em preços, segue-se a cidade de Lisboa, com a procura mais concentrada em apartamentos de tipologia T2 com valores máximos de €481.478.

Mas também aqui existem diferenças substanciais. “No distrito, os valores máximos são de €355 mil, enquanto na cidade de Lisboa são de €481 mil, para áreas de 85 m2 e 82 m2, respetivamente”, acrescenta.

“No mercado de arrendamento as pessoas procuram mais apartamentos em todo o país, com exceção de Beja, Évora, Portalegre e Guarda”, adianta Inês Campaniço.

Como possível explicação deste comportamento da procura, a responsável aponta o facto de os valores de arrendamento de uma moradia serem mais em conta, os imóveis terem áreas mais pequenas e muitas vezes a opção pelo arrendamento pressupor um período de transição na vida das pessoas. Segundo o estudo do Idealista, é no distrito de Beja que os interessados estão dispostos a pagar as rendas mais altas, mais concretamente por moradias, com preços máximos a atingir os €2393, com área mínima de 132 m2. Segue-se a cidade e o distrito de Lisboa, com a procura concentrada em apartamentos de tipologia T2 com áreas mínimas de 82 m2 e 85 m2, correspondente a valores máximos de €1312 e €1286, respetivamente. Estas são as zonas do país onde os utilizadores do portal estão dispostos a pagar valores de rendas mensais acima dos €1000.

O interesse por espaços exteriores como varandas e terraços também se sentiu no mercado de arrendamento em Portugal, onde a procura cresceu 45%. A cidade do Porto lidera a procura deste tipo de apartamentos, com um aumento de 64%, seguida por Lisboa (60%). Quanto ao interesse por arrendar casas com jardim e piscina, o aumento foi de 25% a nível nacional, com o Porto a destacar-se (80%), seguido por Lisboa (50%).

Na primeira semana de 2021 e a nível nacional, a procura seja de apartamentos ou de moradias é 19,6% superior à registada na mesma semana de 2020, revelam os dados do portal imobiliário.

“Depois de uma queda de 37% no primeiro confinamento, a procura tem vindo a recuperar, sobretudo a partir do verão. Em novembro chegou a disparar 68% face ao mesmo período de 2019.”

PREÇOS DESCERAM NO ARRENDAMENTO
Para Inês Campaniço, os dados da primeira semana do ano é um bom sinal e mostra a resiliência do mercado imobiliário. “As taxas de juro a nível historicamente baixos e as moratórias, são alguns dos fatores que ajudam a este comportamento.”

Quanto aos preços, a responsável salienta que se mantiveram muito estáveis. “Desceram um pouco no arrendamento, por exemplo, em alguns bairros de Lisboa, com a entrada no arrendamento de longa duração de imóveis de Alojamento Local”, acrescenta.

Mas se os preços se mantêm sem grandes oscilações, começa a notar-se um aumento da margem de negociação. “Os proprietários não querem baixar os preços dos imóveis, mas quando chegam à negociação final baixam um pouco os valores”, acrescenta. Inês Campaniço admite que existem variações mínimas, “na ordem dos 2% ou 3%, mas os preços ainda não se estão a ajustar à realidade”.

Fonte: Expresso

 



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