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NEGÓCIOS E ECONOMIA

08/03/2021

CIP. Quotas são importantes para igualdade mas devem ser temporárias [Portugal]

"As quotas são um ponto de partida para ajudar a impulsionar (...), algo que deve servir para criar uma dinâmica e depois da dinâmica criada e conhecida a mais valia que essa diversidade traz é irreversível", disse o presidente do Conselho de Administração da ANA, José Luís Arnaut, que participou no debate, defendendo, no entanto, que a cultura de meritocracia deve prevalecer.

Para o presidente do Conselho de Administração da Fidelidade, Jorge Magalhães Correia, as quotas fornecem um "'input' artificial para a mudança e podem ser usadas para criar um nível mínimo de igualdade", sendo importante ser encarada de uma forma transitória ou temporária.

"O sistema por si só pode não assegurar uma verdadeira mudança de cultura e pode prejudicar a meritocracia. Ninguém gosta de saber que obteve um lugar apenas por pertencer a um determinado género", refere.

Na mesma linha, o presidente da Comissão Executiva da CGD, Paulo Macedo, reconheceu a importância de um sistema de quotas para promover a igualdade de género nos meios empresariais.

"Sou a favor das quotas pelo tempo que demoraria à convergência", disse Paulo Macedo, sinalizando, no entanto, "vários inconvenientes no sistema", nomeadamente a questão de que "claramente deve haver nomeações com base na competência".

A propósito, a presidente executiva do grupo Luz Saúde, Isabel Vaz, reconhece que "nenhuma mulher jamais gostaria de estar num cargo por uma questão de quotas", mas considera que este sistema é uma ferramenta a ser usada como um "impulsionador de justiça ou um grilo falante" para acelerar a evolução.

A presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), Isabel Barros, por sua vez, referiu que olhando para os últimos 15 anos facilmente se percebe que o sistema de quotas se trata de um "acelerador necessário", mas considera que abordar a questão do mérito nas quotas é "desvirtuar a discussão".

Em 2017 entrou em vigor do regime da representação equilibrada entre mulheres e homens em cargos de topo nas empresas cotadas em bolsa, segundo esta legislação, as empresas com o capital disperso em bolsa devem assegurar que um terço dos cargos de administração e fiscalização é ocupado por mulheres a partir de 2020.

No discurso de abertura da conferência "As Mulheres e o Emprego: desta vez um debate com homens e mulheres", o presidente da CIP, José António Saraiva, lembrou que apesar da evolução positiva dos últimos anos, não pode ignorar as estatísticas que revelam que, em Portugal, apenas 26,6% das empresas têm uma liderança feminina.

"Um valor abaixo da média europeia que se situa nos 30%, sabendo que o valor mínimo da paridade é de 40%, e que os quadros superiores masculinos ganham mais 26% do que mulheres com funções idênticas", disse.

Saraiva considera que se trata de uma discussão importante e que, juntamente com os empresários, devem-se "encontrar linhas de ação para que o talento feminino não seja desperdiçado".

"Temos consciência de que não só não se devem desperdiçar talentos, como temos a perfeita noção de que a diversidade das equipas de gestão, bem como o conhecimento e as competências, são os principais fatores de competitividade das empresas e, logo, da economia", acrescentou.

A CIP criou, há cerca de dois anos, o Projeto Promova, como um contributo efetivo para o desenvolvimento de talentos femininos para funções em altos cargos de direção.

Nos próximos meses, até março de 2022, a CIP irá realizar webinars "Promova Talks", ao dia 08 de cada mês.

"É esse o nosso compromisso para que o debate da igualdade não se faça apenas hoje, mas que seja uma realidade todo o ano", disse.

 

Fonte: Notícias ao Minuto



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