background image
11
CÂMARA PORTUGUESA
SET/OUT 2007
Gonçalo Tavares, que recebeu um
prêmio de R$ 100 mil pelo primeiro lugar,
falou sobre o ato da criação: "Eu não acho
difícil escrever, não me preocupo com a
página em branco, porque complicado é
editar o que escrevi. Algo parecido com
que um amigo me contou, ele ao escre-
ver uma carta, desculpou-se por não ter
escrito pequeno (resumidamente) pela
falta de tempo."
O curitibano Dalton Trevisan ga-
nhou o segundo lugar com o livro de
contos Macho Não Ganha Flor. Como
de costume, o autor não apareceu em
público, mas surpreendeu a todos ao
enviar um texto, que foi muito aplaudido
ao ser lido. "Nada a dizer fora dos livros.
Só a obra interessa, o autor não vale o
personagem. O conto é sempre melhor
Teixeira Coelho receb o troféu pelo terceiro lugar
que o contista", iniciava o texto de Dalton.
O terceiro lugar, foi conquistado por Teixeira Coelho com História
Natural da Ditadura, um livro que funde ensaio e ficção, memória e
invenção e trata de um dos momentos mais excepcionais da história
brasileira, a ditadura. Teixeira, autor de 24 livros entre ficção e ensaio,
falou para que não temessem a densidade de sua obra, pois é um livro
escrito com emoção que, segundo ele, devia a si mesmo e aos leitores
há mais vinte anos.
Os vencedores do Prêmio Portugal Telecom 2007 receberam R$100
mil, R$ 35 mil e R$ 15 mil reais, 1º, 2º e 3º colocados respectivamente,
além de um troféu criado pelo artista plástico Paulo Von Poser.
Durante a cerimônia de entrega do prêmio, o presidente da Portugal
Telecom, Henrrique Granadeiro, salientou que "a língua portuguesa pre-
cisa marcar os seus terrenos e conquistar outros. Para isso, a sua riqueza
e variedade deverão constituir o conteúdo e o suporte de tecnologias de
ponta postas ao serviço de iniciativas empresariais ambiciosas. O que
está em causa com o Prêmio Portugal Telecom é a implantação vigoro-
sa, ágil e atual da língua portuguesa, como instrumento privilegiado na
construção do futuro de mais de duzentos milhões de pessoas".
Só a obra
interessa,
o autor não vale
o personagem.
O conto é
sempre melhor
que o contista
Dalton Trevisan