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CÂMARA PORTUGUESA
SET/OUT 2007
luCro de investimento
em vinhos Pode suPerar os
ECONOMIA
O
i nvestimento em
vinhos de alta qua-
lidade possui retor-
no médio de 50% e
chega a ultrapassar os 200%, sendo
praticamente isento de riscos. Em
declarações à Agência Lusa, Paulo
Martins, diretor da consultoria Vino
Invest, espera que o empreendimento
tenha sucesso no mercado português,
como já faz em sua sede em Londres.
O objetivo é conseguir em Portugal
200 clientes nos próximos cinco anos.
Desde que iniciou atividade, em se-
tembro de 2005, a empresa já faturou
cerca de R$ 5 milhões.
Para já, a Vino Invest, que atua
também na Irlanda, conseguiu seis
investidores no mercado português,
sendo que um deles firmou contrato de
10 anos, se comprometendo a investir
cerca de R$ 12,5 milhões anuais em
vinhos.
O rendimento que um investidor
pode tirar da compra de vinhos raros
e de qualidade, em especial da região
de Bordeaux, é muito variável. "De-
pende do tipo de vinho e dos seus
anos de vida, mas também do tempo
do investimento", diz o empresário,
afirmando que, em 2006, o retornou
ficou entre 12% e 222%, com uma
média de 50,73%.
"Nos últimos 18 meses, o retor-
no conseguido com o vinho Ausone
01, de Pomerol, em Bordeaux, foi de
285%", conta Paulo Martins.
O vinho de alta qualidade é apre-
sentado pela empresa de consultoria
como um produto de investimento ino-
vador e inexistente em Portugal, com
"risco mínimo" e com "crescimento
anual superior a 20%".
A Vino Invest afirma que a procura
mundial pelos melhores vinhos e a
conseqüente alta de seus preços torna
este mercado muito atrativo, "possi-
bilitando ao investidor a criação de
riqueza e o aumento do seu registro de
ativos de uma forma segura, mesmo
que surjam recessões econômicas".
Paulo Martins faz questão de re-
alçar que o mercado internacional de
vinho de qualidade corresponde a 1,3
bilhão de euros (R$ 3,28 bilhões), mas
está em crescimento, principalmente
em locais como Japão, América Lati-
na, Rússia e China.
Para o empresário, Portugal ainda
é "um mercado emergente como ori-
gem de investimento em vinho", mas
o número de interessados em apostar
no produto - cuja valorização não é
influenciada pelo comportamento dos
mercados financeiros, pelas taxas de
juro e pelas crises econômicas - vai
aumentar, sendo uma forma de diver-
sificar os investimentos.
Com cerca de 90% da sua carteira
de produtos oriundos de Bordeaux,
onde a produção é limitada, a Vino
Invest atua como agente e busca
vinhos para seus clientes através de
fornecedores.
Além disso, aconselha, dá infor-
mação sobre o mercado e sobre os
próprios vinhos e é intermediária na
transação, além de transportar e ins-
pecionar a qualidade do produto.
Os vinhos precisam ter alta quali-
dade, ser produzidos em quantidades
baixas, mas suficientes para ter um
mercado internacional, e possuir uma
vida longa, "de 30 anos ou mais", ex-
plica Paulo Martins.
Como as condições de conserva-
ção são fundamentais para o sucesso
do negócio, o ideal é que o vinho seja
armazenado em empresa especializa-
da neste serviço, a Octavian, situada
no sul da Inglaterra, ao invés de ficar
na adega do investidor.
Segundo Paulo Martins, os vinhos
de alta qualidade chegam a custar,
com facilidade, mais de mil euros
(R$ 2.500) a garrafa.
A estratégia da empresa para
Portugal é diferente daquela adotada
no Reino Unido, onde já existem con-
sultoras deste tipo há muitos anos, e
a opção é "dar um serviço abrangente
e personalizado".
Quanto ao momento certo para
vender o produto de investimento e
obter o lucro, Paulo Martins explica
que é preciso atender as condições
do mercado internacional. O cliente
pode, sem penalidades, fazer a ven-
da quando achar conveniente, mas é
aconselhado a manter o produto por,
pelo menos, três anos.
200%